quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Último Versículo



- Sou o vosso deus agora.
Todas as regras mudarão:
Permito o sexo publicamente licito.
Permito a nudez explicitamente bem vinda.
Permito o acasalamento entre os sexos sem a noção do impuro.
Permito, enfim, que o orgasmo infinitamente viva sem vergonha do amor.
Não deixem bonecos de gesso com seus semblantes teatrais desprezar-lhe de sua vida sexual.
Não deixem que aqueles templários circenses zombem de teus instintos.
Não somos animais para, apenas, reproduzir. Sinta entrando em você, o prazer.
Abra as asas de suas fantasias remotas e mortas, voe, sinta a liberdade de viver sem as castidades impostas a si mesmo.
Pois essa é a minha ultima regra:
- Quebrem todas as outras, pois tu és livre para viver e gozar em tudo e em todos.
Jessie Jones
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Artigo 4º:
A apologia da castidade é uma publica incitação ao antinatural.
Desprezar a vida sexual enxovalhá-la com a noção de “impuro”,
Eis o verdadeiro pecado contra o espírito santo da vida.
Friedrich Nietzsche _ O Anticristo

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Queda



Seus olhos eram vendados
para o nosso mundo e
machucados ao amor surdo.

Suas mãos suavam frias e
perdia os sentidos ao ver-se
no espelho quebrado da vida.            

Infelizmente & Felizmente
assumo a culpa ao dizer:
“Fui eu que te empurrei lá de cima
mas foi você que me matou durante toda a queda
resumindo-me á nada..."

Jessie Jones

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Insano


Fica se jogando, de um lado para o outro
Se debatendo no chão molhado que você próprio inundou
Por muito tempo, insatisfeito, Por te colocarem ali dentro.
Deram-lhe atestado de insanidade só por não entender
O sentimento mais incompreensível dos universos.
Mas conseguiu enfim, por mais insano estivesse, compreender o amor...
Mas o amor, por cumprir sua função carrasca, não o compreendeu.
“Com toda a loucura e cansaço, ainda conseguiu colocar estas palavras
Neste espaço em branco que é a vida.”
Jessie Jones

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pretérito Imperfeito


Do copo que encheram de ódio e decepção
Nasceu uma rosa vermelha em puro consolo
A cor seria pela paixão aventurada ou seria
pelo sangue de guerras que virão?
Ansioso, lento, incapaz, falecido
Paralisia, dislexia, impróprio, escasso
Dificil de entender
Complicado de explicar
Não sabes por onde começar
ou já teria começado ?
Jessie Jones

terça-feira, 19 de julho de 2011

Enterrados



Sopro na face
Fumaça ao relento e
os sons de corpos móveis em entrelace.
Pontos ao céu
Arrepios nos pêlos
Noite escura debaixo do teu véu.
Vozes silenciosas
Planam e caem no chão
Terras encantadas, terras tenebrosas.
Era silêncio
Era extenso
Agora, a dor...
Os olhos cegos enxergam
A boca muda gritar
Para os ouvidos surdos enterrados.
Enterrados...
E assim protestam os amantes mortos pela ilusão.
Jessie Jones
Imagem: Deitada - Andrea Vidal

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Arranha-céu




- Corram, corram sem olhar para trás
Subam as escadas e cheguem ao ultimo andar
Todas as portas até lá estarão fechadas
Não se arrisquem em abri-las e não se surpreendam
De cima deste arranha-céu sempre existiu uma solução
Pule e sinta-se flutuando como uma pluma molhada de desesperos
Lágrimas deixarão de cair, quando você cair junto á elas
Antes de ir, conserte a porta por onde entrou
e seja libertino ao tempo.
Jessie Jones

sábado, 9 de julho de 2011

A Roseira


Enterre-me
pois sou um corpo
em estado de putrefação.
Boiando em mares
que me deixam atordoado
com o balançar das ondas.
Enterre-me
pois meu corpo podre e sem caráter
servirá como estrume
e nascerá a partir deste solo
roseiras envenenadas.
Enterre-me e conseguirei
morrer e te matar.
Pois algum dia espetarás em espinhos de rosas minhas...
Jessie Jones


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Noturno


E vem sorrateira durante a noite
De mansinho, calmamente pra não acordar ninguém.
A solidão e a depressão desejam acabar com os meus sonhos.
Durmo tão bem de olhos abertos, certificando-me
de que nada se mova ao redor desta insônia.
Insônia incandescente que brilha tanto, queima tanto...
E a decisão de me manter vivo dentro dessa caixa
E paciência brincando com os tormentos... tantos tormentos.
O som é alto, ouve-se mundo a fora
Seres dançam, bebem, cortam-se, transam-se
é a festa da celebração a vida
Não pretendo deixar essa festa morrer.
Sou sorrateiro durante a noite
Teleporto-me de lua em lua
Procuro você ser inestimável.
Humano imperfeito, assim sou eu, boiando na gravidade da paixão.
Lastimável
Encantador
Assassino
Existe um  perfeito ser que sente dor?
Um ser perfeito seria se soubesse então o que é o amor.
Mas afinal... o que  seria ?
Jessie Jones
Foto: Jordan Eagles

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Super

eu sei que você pode sorrir
eu sei que você pode mentir
eu sei que você é humano
e humanos afogam-se em medos...

Eu sei que você pode sonhar
eu sei que você pode apunhalar
eu sei que você é humano
e humanos afogam-se em erros...

Já eu sou um super-humano
voando através de céus ilusionistas
para acordar você de suas fantasias falsas e hipnóticas...
Continuo voando lunático e psicótico...

Eu sei que você pode cair
Eu sei que você pode fingir
Eu sei que você é humano
E humanos afogam-se em seu próprio sangue...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Paraíso dos Rejeitados

Criados do prazer, de um amor tão próximo,
Submetidos a crescer para um futuro de repugnação,
Julgados e menosprezados por milagres e deuses.

Somos aquele que teu deus não criou...
Hipocrisia! Negam o sexo por onde nascem.
Quebram espelhos alheios, sabem que os seus despedaçam-se.
Escolhas sujas e injustas obrigados a escolher,
Esconder-se nas sombras pra que você caminhe ao sol,
Derreterás os pés no quente e no cansaço, então.

Irei sorrir em seus momentos de implorar
Estaria sendo o verme que se tornou a não te socorrer
Estaria me matando se não tentasse te segurar.

Julgam-nos caídos. Seremos caídos então.
Julgam-nos aberrações. Seremos aberrações então.
Ferem-nos todo nosso corpo
Mas a verdade, o orgulho e a ganancia de vencer tal guerra,
São indestrutíveis.
É com tremendo prazer em meio os orgasmos de fascinação, que te respondo meu homem:
Bem vindo ao Paraíso dos Rejeitados
Onde nós seremos deuses imaculados
Em uma cama por um sexo eterno.

Gelofogo

Confesso que é frio aqui
O silêncio estável e imóvel onde está
Chão úmido e ventos fortes
Ainda continua frio...
Mas o peito aquecido como um eterno sempre
Pelo sexo teu que me faz derreter
esta Antártida de segredos
onde nele sou cigano retirante, migrante clandestino.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Um conto de fadas

Uma linda mulher, com sua feminilidade á flor da pele
Delicada, sensata, pois não amada...
Um lindo homem, com sua masculinidade irradiante em educação esplendida
Dedicado, mascarado, pois não admirado...
Ambos conheceram-se em fase de desgostos, loucos para serem amados.
Ela, uma plebéia doce e encantada.
Ele, um príncipe rico e encantador.
A paixão fez com que se afogassem em um mar de gestos de gratidão.
Seus bens materiais hipnotizaram a bela plebéia.
Percebendo o esforço do belo príncipe, deu-lhe em troca sua inocente e tão aguardada virgindade.
Depois de passarem pelos campos mais belos de rosas que o amor lhes proporcionou
Infelizmente não poderiam mais ficar juntos por motivos, subitamente, inventados e trapaceados.
Por sua vez, a vossa majestade deu o seu ultimo presente á aquela magnífica mulher.
Pôs em suas mãos uma caixa prateada cravejada de diamantes,
Poderia abri-la apenas quando a saudade o tivesse matando.
E como todas as caixas, essa não teria motivos para não ter surpresas.
A linda plebéia sufocada e envenenada de saudades de seu amor passageiro
Abriu a caixa, lá dentro continha a rosa mais linda de todo aquele reino.
Uma rosa de cor negra e junto á ela uma carta escrita com letras de ódio e decepção.
Após ler a carta, a mulher refugiou-se em depressões injustas, como toda sua vidaapartir daquele momento em diante.
Na carta havia escrito as seguintes palavras:
“Deixei-me levar pelas emoções encantadoras ao teu lado
e absurdamente não encontrei coragem para te dizer o que me reprimia.
É com todo o meu sentimento de desculpas que digo que sou portador de Aids.”

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Entrelaçados


Os olhos choram de prazer em meio à dor
Os lábios coram-se sem saber ser
As mãos suam sem se importar
As pernas tremem por não poder falar
O coração acelera em ritmo de 'amorluz' irreversível
O corpo em fragrância desconhecida
O desconhecido agora não valerá ao teu nome
Nada mais conhecido senão o prazer de um trago no 'amorsexo' que esconde
um mundo doentio que some
diante teu nome...


Os olhos trocam-se
Os lábios tocam-se
As mãos encolhem-se
As pernas entrelaçam-se
O coração ama
O corpo chama
O desconhecido...?


Jessie Jones

domingo, 5 de junho de 2011

Ressureição

Sinta o meu gosto
ardente em teus olhos.
Sinta a luz do meu querer
carbonizar a tua pele.
Sinta os músculos de teu coração
contrair e explodir de tanto amor em excreção.


Morra afogado nas águas da falta
Morra esmagado por pedras da saudade
Morra cego, que te entrego a vida
pra enxergar e voltar.


Agonizar, sangrar e morrer
entre viver, amar e correr.
Se enterrou sem ser
e não sonhou.
Pedi aos infernos pra me ajudar
a te ressuscitar e ir em seu lugar...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A lei dos corpos que ocupam um mesmo lugar

Sim, é verdade.
Dois corpos não ocupam um mesmo lugar.
Mas dois corpos apaixonados, mergulhados em prazer e amor, ocupam sim um mesmo lugar.
Entram em estado de fusão completo, dispensando qualquer interferências em suas quimicas,
concentrando-se apenas no contato mental e corporal.
Sentem dormência total, quando se fala do mundo ao vosso redor. Pois o foco central de toda experiencia sendo executada é apenas o ardor eo prazer de todo o amor que sentem junto á dormências.
O amor sentimento sujo e doentio, sentimento esplendido e incrivelmente viciante, faz com que as leis dos corpos que não ocupam um mesmo espaço, sejam inexistentes aos olhos queimados pela a chama dolorosa e prazerosa que é o amor.
" Pois então que seremos cegos, tropeçaremos em pedras, bateremos em muros e cairemos em buracos, tudo por conta desta cegueira, que faz aguçar todos os sexos em nós guardados."
Enfim revelada a nova lei dos sexos, as leis dos amantes, a lei dos corpos que ocupam um mesmo lugar.
Enfim sujos e amados, apedrejados e enterrados, pelos os sexos e pela paixão...