quinta-feira, 5 de abril de 2012

Valsa | Edição Extra*

Ao encontro dos olhares
Submetidos a intenção pré-inocente
Somos protótipos do amor
Somos os bonecos manipulados
Somos alvejados e triturados.

Mas ao encontro dos nossos diálogos
Somos inventados
Somos tímidos ao omitir certos detalhes.

Somos tudo isso pra mim
E luto pra ser tudo isso pra você também.

Seremos, um dia, simples e singular
Como dois pássaros dançando valsa ao ar rarefeito.
                                                                                                                                                               
Jessie Jones

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O Último Versículo



- Sou o vosso deus agora.
Todas as regras mudarão:
Permito o sexo publicamente licito.
Permito a nudez explicitamente bem vinda.
Permito o acasalamento entre os sexos sem a noção do impuro.
Permito, enfim, que o orgasmo infinitamente viva sem vergonha do amor.
Não deixem bonecos de gesso com seus semblantes teatrais desprezar-lhe de sua vida sexual.
Não deixem que aqueles templários circenses zombem de teus instintos.
Não somos animais para, apenas, reproduzir. Sinta entrando em você, o prazer.
Abra as asas de suas fantasias remotas e mortas, voe, sinta a liberdade de viver sem as castidades impostas a si mesmo.
Pois essa é a minha ultima regra:
- Quebrem todas as outras, pois tu és livre para viver e gozar em tudo e em todos.
Jessie Jones
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Artigo 4º:
A apologia da castidade é uma publica incitação ao antinatural.
Desprezar a vida sexual enxovalhá-la com a noção de “impuro”,
Eis o verdadeiro pecado contra o espírito santo da vida.
Friedrich Nietzsche _ O Anticristo

terça-feira, 26 de julho de 2011

A Queda



Seus olhos eram vendados
para o nosso mundo e
machucados ao amor surdo.

Suas mãos suavam frias e
perdia os sentidos ao ver-se
no espelho quebrado da vida.            

Infelizmente & Felizmente
assumo a culpa ao dizer:
“Fui eu que te empurrei lá de cima
mas foi você que me matou durante toda a queda
resumindo-me á nada..."

Jessie Jones

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Insano


Fica se jogando, de um lado para o outro
Se debatendo no chão molhado que você próprio inundou
Por muito tempo, insatisfeito, Por te colocarem ali dentro.
Deram-lhe atestado de insanidade só por não entender
O sentimento mais incompreensível dos universos.
Mas conseguiu enfim, por mais insano estivesse, compreender o amor...
Mas o amor, por cumprir sua função carrasca, não o compreendeu.
“Com toda a loucura e cansaço, ainda conseguiu colocar estas palavras
Neste espaço em branco que é a vida.”
Jessie Jones

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pretérito Imperfeito


Do copo que encheram de ódio e decepção
Nasceu uma rosa vermelha em puro consolo
A cor seria pela paixão aventurada ou seria
pelo sangue de guerras que virão?
Ansioso, lento, incapaz, falecido
Paralisia, dislexia, impróprio, escasso
Dificil de entender
Complicado de explicar
Não sabes por onde começar
ou já teria começado ?
Jessie Jones

terça-feira, 19 de julho de 2011

Enterrados



Sopro na face
Fumaça ao relento e
os sons de corpos móveis em entrelace.
Pontos ao céu
Arrepios nos pêlos
Noite escura debaixo do teu véu.
Vozes silenciosas
Planam e caem no chão
Terras encantadas, terras tenebrosas.
Era silêncio
Era extenso
Agora, a dor...
Os olhos cegos enxergam
A boca muda gritar
Para os ouvidos surdos enterrados.
Enterrados...
E assim protestam os amantes mortos pela ilusão.
Jessie Jones
Imagem: Deitada - Andrea Vidal

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Arranha-céu




- Corram, corram sem olhar para trás
Subam as escadas e cheguem ao ultimo andar
Todas as portas até lá estarão fechadas
Não se arrisquem em abri-las e não se surpreendam
De cima deste arranha-céu sempre existiu uma solução
Pule e sinta-se flutuando como uma pluma molhada de desesperos
Lágrimas deixarão de cair, quando você cair junto á elas
Antes de ir, conserte a porta por onde entrou
e seja libertino ao tempo.
Jessie Jones